Catarina
Os Originais
Originalidade é algo tão complicado quanto a própria definição do que é, ou não, original. É relacionado ao novo, ao autêntico, e buscado insistentemente por muitos, em especial por criativos de diversos mercados. Ser original é algo tão cobiçado que nos esforçamos para isso a todo momento, mesmo que de forma inconsciente. Tentamos ser originais quando nos comportamos, nos vestimos e quando falamos; tentamos ser originais no trabalho, nas amizades, nos relacionamentos e na cama (inclusive, eis aí a queixa de muitos e muitas).
Porém esta é uma busca que nos acompanha há muito, desde os povos antigos. Os egípcios buscavam a originalidade em suas obras e manifestações, na esperança de agradar os inúmeros deuses; os gregos foram únicos e originais com sua forma de perceber o mundo através da arte e da filosofia, assim como os romanos com suas ideias sobre urbanismo e tantas outras expressões. No Renascimento, o conceito de originalidade esteve relacionado com genialidade; pintores como Botticelli, Da Vinci e outros eram tidos como gênios portadores de uma forma desenvolvida de intuição, uma pessoa rara, diferente e com capacidade de ter naturalmente ideias originais, o que outras pessoas só poderiam conseguir divagando. Depois com a Revolução Industrial, o original esteve relacionado com as novas formas de produção; e com o surgimento do capitalismo os ganhos colocaram-se no foco da questão, onde original eram ideias para se conseguir lucrar mais. Agora com a informática e a web, a comunicação sem fronteiras ampliou consideravelmente tal perspectiva.
Portanto, quem define o que é, ou quem são os originais? Hoje este conceito está completamente diluido e supérfluo. Para você ter uma ideia, ao digitar “original” no Google, aparecem 953.000.000 (!) termos encontrados. Bares, lojas, igrejas, serviços, marcas das mais diversas, tudo é original. Até na bíblia, o pecado é original. Por isso hoje alguns definem-se como originais e tentam insistentemente ganhar destaque, mas esquecem que muitas vezes esta busca os coloca dentro de outro grupo, a tribo dos “originais”, que adoram fazer tudo igual; e consequentemente, perdem a originalidade. Estes, quanto mais se esforçam para aparecerem, menos originais tornam-se e mais cópias fazem; eis então que surgem os clichês. E nada mais clichê, do que ideias clichês (e elas existem aos montes, expulsando toda a originalidade). Muitos rotulam-se como originais mas esquecem que isso tem relação direta com ruptura, com ver as coisas de forma diferente. Tem a ver com subjetividade, com aquilo que vamos construindo na medida em que nos desenvolvemos e vivenciamos as experiências da vida através de nossas relações com o mundo.
Ou seja, você também é aquilo que consome culturalmente: ao se “alimentar” somente de superficialidades, a probabilidade de reproduzir isso por aí é imensa. Como esta demanda muitas vezes está ligada com a busca pela confirmação de alguém que lhe afirme e que lhe diga se você é ou não original, neste momento podemos estar tão dependentes e atrelados aos outros, que deixamos de ser originais na medida em que fazemos isso para mostrar o quanto podemos.
Original é fugir dos padrões, quebrar regras e questionar o que já está mastigado e pronto para ser engolido. É ver ideias novas, nas coisas simples. É buscar evitar o mesmo, que chatea, aborrece e entedia. Fuja dele, porque nada é menos original que a falta de originalidade.
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O Começo da Campanha
No início deste ano um assunto envolvendo uma ministra do governo ocupou inúmeras capas de jornais e revistas; desta vez porém, o escândalo foi estético.
A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (candidata do governo à Presidência) resolveu adotar um novo visual e realizou uma cirurgia plástica no rosto, mais especificamente na região dos olhos, segundo seus assessores. Este fato mobilizou rapidamente a imprensa, e foi grande a correria para fotografar o novo rosto, saber o que ela tinha feito, onde foi e quanto custou, etc. Homens e mulheres se interessaram, médicos explicaram, a curiosidade tomou conta do Planalto, e a pauta foi essa: “o que fez Dilma”?
Todo esse alvoroço em torno do assunto trouxe de volta a discussão sobre o tema das cirurgias plásticas, estas imensamente consagradas em nosso país (a ponto de existirem consórcios para tal), desejadas por milhares de mulheres, e atualmente, por homens de diversas idades. Novas técnicas são criadas e difundidas, surgem clínicas por todos os cantos, e o Brasil é o segundo país que mais faz plásticas no mundo, perdendo somente para os Estados Unidos.
Este fato desperta tanto interesse a ponto de ser incessantemente abordado, principalmente pela mídia; basta dar uma olhada na quantidade de programas que abordam o assunto (Dr. Hollywood, Extreme Makeover, etc) para percebermos como o assunto atrai a atenção do público.
As explicações por tanto interesse pela estética corporal e pelas cirurgias plásticas surgem de diversos campos (e cantos). Os mais reducionistas dirão que é apenas a eterna curiosidade humana, que atrai os olhares para o novo, para aquilo que chama a atenção; outros dirão que esta é a estética do momento, quando todos podem ser como sempre sonharam e a liberdade individual é o que importa; ou ainda, que é uma questão de beleza e outros tantos argumentos clichês.
Porém, um fato que pouco percebemos (ou fingimos não perceber), é que somos eternamente insatisfeitos, e vivemos preenchendo buracos em nossas vidas para nos sentirmos melhores. E o corpo, muitas vezes é fonte de escape desta expressão interior.
Preenchemos buracos quando estamos tristes e comemos ou bebemos demais; preenchemos buracos quando gastamos em um shopping, quando substituímos um amor por outro; quando compramos um novo carro, uma jóia ou nos submetemos a cirurgia plástica. Queremos sempre estar bem perante um Outro, sermos invejados e desejados, assim como desejamos e invejamos (muitas vezes inconscientemente) aquilo que queremos, mas não podemos ter.
Como hoje não basta somente ter, é necessário parecer, imaginem o estrago que faz em alguém encarar uma lipoaspiração e depois ninguém fazer um elogio ou perceber alguma mudança? Ou novos seios que não são notados? Isso traria prováveis problemas… E por que? Porque são os outros que nos trazem a confirmação de que acertamos, que não fizemos besteira, e que realmente ficou melhor (que antes!).
Entretanto, este fato não deve ser visto de forma negativa: tentar evitar isso é impossível, uma vez que vivemos construindo nossas referências pessoais através do coletivo. Porém ter consciência disto, do papel e influência dos outros em nossas vidas (amigos, namorados, maridos, pais, etc), é caminhar de forma mais segura atrás de uma imagem pessoal que dificilmente é satisfeita, uma vez que os buracos são muitos (e surgem constantemente) pela vida.
E o que isto tem a ver com cirurgia plástica? Simples, pois a estética corporal está diretamente ligada á uma atual sociedade cambiante, e consequentemente, á uma busca pelo corpo ideal que se altera na mesma medida. Na ânsia de parecer mais desejados perante os olhos dos outros, muitos esquecem de seus desejos para corresponder a uma expectativa de alguém, que nem sempre entende o que está por trás de tal mudança.
Neste momento, muitas vezes é preciso confrontar opiniões e bancar situações que demandam certas doses de coragem, e porque não dizer, narcisismo. Mudar algo na vida, nem que seja através de uma cirurgia plástica, é sempre uma atitude que lhe tira de certa inércia em direção ao novo. Como as pessoas são diferentes (e seus motivos também) isso interessa somente a quem deseja mudar, e a mais ninguém.
Vejo o caso de Dilma Roussef: muitos criticaram, outros elogiaram. Se acharam no direito de opinar das mais diversas formas; e sabe o que fez a ministra? Nada! Agiu de forma educada, como se nada tivesse acontecido; como se os porquês da mudança fossem somente dela, e só a ela interessassem.
E fez bem. Foi um bom começo de campanha.
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O Rock da Moda
Das muitas referências adotadas pela moda, o rock certamente figura dentre os elementos que mais conquistaram um lugar sob os holofotes, com o perdão do trocadilho. O movimento rock, volta e meia retorna às passarelas e conquista novamente criativos, empresários e consumidores, revitalizando-se constantemente não somente pela música ou moda, mas também por padrões de comportamento que influenciam gerações.
A moda, assim como o rock, alimenta-se da cultura, dos desejos e da vontade de expressão que nos torna humanos. São elementos de constituição de identidade, de reconhecimento e identificação perante um grupo, ou um outro; portanto parece lógica uma aproximação entre ambos, a ponto deste fato estar fortemente marcado em nossa cultura ocidental desde o momento do surgimento deste estilo musical, no início dos anos 50.
Resultado de uma bem resolvida mistura entre alguns ritmos da época (rhythm and blues, gospel music e country), o rock teve em seu início um dos grande ícones da música e da moda, Elvis Presley. Desde aquela época, os ídolos do rock são grandes formadores de opinião, difundindo idéias, comportamentos e modos de vestir-se; criticados, adorados e copiados, a moda que inicialmente funcionou como um sinal de rebeldia do rock, uma expressão muitas vezes única e subjetiva, logo transformou-se em parte fundamental da história de gerações, criando uma estética que permanece até hoje. Ainda nos anos 60, os Beatles transformaram-se em estrelas mundiais, e consequentemente, em ícones da moda da época, copiados em suas roupas e cabelos. Até meados dos 70, vários estilos de rock haviam então produzido suas lendas e determinado os padrões da moda: do folk-rock de Bob Dilan e Neil Young com seus jeans e jaquetas, passando pela psicodelia colorida do Pink Floyd, Jimi Hendrix e Janis Joplin, até os cintos de metal e as calças de couro de Jim Morrison, a cena rock da década contribuiu de forma clara para unir pessoas através da música, e ao mesmo tempo, utilizou-se da moda como fonte de identificação. Este processo foi tão marcante na época, que um dos motivos do fim do movimento hippie foi justamente seu processo massivo de identificação na moda; quando milhares começaram a vestir-se como hippies, não importando mais a concepção paz-e-amor que tanto motivou o inicio do movimento, este transformou-se em lugar-comum e perdeu muito de sua força.
Ainda antes dos anos 80, outro tipo de rock voltou a influenciar comportamentos e vestimentas: o heavy metal do Kiss, Black Sabbath, AC/DC e outros; seus couros, metais, acessórios, e suas roupas coladas, somadas a um estilo de vida all night long, arrebataram milhares de fiéis seguidores. Seguiram-se então nesta década outras influências da música na moda, como o despojamento do punk dos Sex Pistols e do Dead Kennedys, o brilho new wave do Talking Heads, Culture Club e Eurythmics, o dark do The Cure e da Echo & the Bunnymen, o alternativo do R.E.M; todos criaram suas raízes na cultura, e até hoje são referenciais para os criativos. Já na década de 90, o grunge deu sua contribuição, e bandas como Nirvana, Sound Garden e Pearl Jam influenciaram aquela e as demais gerações com um estilo “largado” de vestir-se. A isto, também somou-se o resgate de um rock amoroso, e bandas como U2 e Smashing Pumpkins destacaram-se no cenário, seguidas do metal alternativo do Faith No More, Alice In Chains, ou ainda do visual dark-elegante da Evanescence; todas foram tidas como ideais de referência para a moda.
Depois da virada do milênio, o que observou-se foi um resgate do estilo de rock de outras décadas, como resposta à força do movimento pop e eletrônico. Bandas como Strokes, Libertines, White Stripes, Kaiser Chiefs e Arctic Monkeys, somente para citar alguns, apesar de criticadas trouxeram um novo fôlego para o rock e rapidamente se transformaram em ícones da moda, mas agora com um algo mais de atitude.
E este é um ponto importante que torna o rock ainda tão atual, porque ainda hoje ele está diretamente ligado ao conceito de atitude, sempre desejada por muitos e faltosa para outros tantos. O que percebe-se agora, quando as tecnologias ligam as pessoas de todas as partes do mundo, é que não existem mais espaços marcados para encontros entre a moda e o rock. Portanto, ele vai além de um simples referencial criativo para a moda, porque assim como ela, é fator constitutivo de um momento de nossa cultura.
O rock é ainda tão utilizado como referência na moda, porque segue traduzindo um ideal eterno de juventude alternativa e independente, com suas individualidades respeitadas e suas vozes escutadas. Seja em uma música, ou na estampa de uma camiseta, o rock sempre está disposto a dizer algo. Que ainda sejam muitas as suas expressões.
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O Cheiro do Barro
No filme nacional O Cheiro do Ralo, de Heitor Dahlia, o personagem principal vivido pelo ator Selton Mello é Lourenço, que insiste para todos que caso sintam um mau cheiro, o odor não vem dele, mas sim é culpa de um ralo entupido em seu banheiro. O cheiro do ralo, a culpa de Lourenço, é o que ele quer esconder de todos; mas não pode, e isso lhe custa caro.
E este fato do cheiro me fez pensar sobre a catástrofe das chuvas que afetaram o sul do Brasil. O mundo inteiro viu, o país ficou comovido, a mídia estava alvorecida. Uma parte de um estado querido, Santa Catarina, cobriu-se de terra, água, pedras, árvores, e tudo aquilo que possa desabar, soterrar e engolir não somente o muito de poucos, mas sim o pouco de muitos. O Vale do Itajaí, grande pólo da indústria da moda, concentrou grande parte dos estragos provocados pela chuva constante de meses: o solo ficou tão encharcado que literalmente derreteu, levando consigo sonhos e vidas. As cidades transformaram-se em um cenário surreal, algo como uma New Orleans destruída. Quando a chuva parou e a água baixou, o estrago tornou-se visível: pessoas desabrigadas, casas soterradas, paisagens transformadas, ruas com móveis destruídos na calçada. Esgoto e lama; muita lama, para todos os lados. E como era de se esperar, a chegada do esperado sol trouxe também o cheiro da sujeira.
Dentre tantas tristezas amplamente divulgadas, este fato me chamou a atenção: o cheiro do lama. E percebi pasmo, ainda mais por viver em uma das cidades atingidas, que não era a lama que fedia. O cheiro vinha de nós. De nossa culpa.
Somos culpados por acabar com o clima, por entupir os bueiros, por devastar as encostas dos morros, pela ocupação sem controle. Culpados por só agirmos, quando acontece uma desgraça. É o cheiro da nossa culpa que se espalhou pelas cidades, lembrando-nos de como somos estúpidos por estarmos desenfreadamente sugando o que ainda resta da natureza. Mas principalmente, somos culpados por não fazermos nada de concreto para que isso mude. Portanto caro leitor, e sinto muito em lhe dizer isso, o cheiro da lama de Santa Catarina (ainda que você esteja longe do Sul) vem de você, vem de mim, de nós. Obviamente muita gente ajudou, e você pode ser um dos tantos com o coração apertado que enviou dinheiro, comida, roupas, móveis, enfim, tudo aquilo que pode ajudar a reconstruir algo para alguém. Grandes empresas enviaram cargas de água mineral e comida, políticos se movimentaram, veículos promoveram ações, pais e mães solidários. E isso é muito bonito, e necessário.
Porém, não basta que possamos agir somente quando a televisão mostra o desespero de alguém que perdeu o pouco que tinha. Muitos neste momento, enviam seus velhos cobertores para doação como um pedido de desculpas por nunca terem feito nada, uma compensação que ajuda a aliviar a culpa; ao menos até que outra catástrofe aconteça e a mídia solicite sua caridade. É algo como “já ajudei, fiz minha parte; agora posso sair de casa de cabeça erguida, jogar meu cigarro na rua, uns papéis pela janela, e no final de semana posso deixar umas latinhas na praia…”.
Não é preciso ser geólogo ou técnico ambiental para que seja pensada a influência do homem nas mudanças do clima no planeta. A destruição da natureza, a ocupação desordenada e os pequenos atos do dia-a-dia ajudam a poluir e destruir o ambiente, a entupir os bueiros, a ampliar as tragédias; ajudam a nos cobrir de lama. E isto é responsabilidade de todos.
Assim como no filme O Cheiro do Ralo, o cheiro da culpa das cidades atingidas em Santa Catarina irritou as narinas de muita gente. E não adianta tapar ou torcer o nariz. Fede mesmo.
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Smart Clothes
Incríveis as novidades que as novas tecnologias nos trazem, e uma das bases dessa revolução que afeta todos os mercados, inclusive a moda, é a interatividade.
Ela está na tecnologia da tv digital, em celulares que trocam arquivos, nas mídias externas, nos palms nas mãos de garçons, nos gps´s dos carros, nos acessórios, nas roupas; a interação está cada vez mais presente em nossa vida, principalmente na internet. Veja o exemplo da chamada web 2.0: blog´s, wikis, comunidades, novos serviços, enfim, uma nova forma de expressão está sendo criada, onde a interação e a colaboração entre as pessoas é que constrói os conteúdos. E isto está se expandindo para além dos limites digitais.
É um novo tipo de comportamento surgindo aos poucos, onde a coletividade tem papel fundamental, onde a opinião de todos importa e as diferenças individuais são preservadas. É mover-se em grupo, preservando as identidades. É o comportamento “2.0″. Ele pode ser visto nos vídeos criados e postados no YouTube, nas músicas do LastFm, nas propagandas da tv (veja o comercial “Ford Human Car”), na nova cara da Mtv, nos iPhone´s tão cobiçados, enfim; o novo agora é “quem importa é você” e “você faz do seu jeito!”.
Pensando em uma relação com a moda, esta tendência de interatividade com os outros e com o mundo também pode ser vista nas smart clothes, as roupas inteligentes que reagem com o ambiente, com o humor, as emoções e os sentimentos de quem as está vestindo. Estas peças interagem com você, em uma forma de expressão individual; e com os outros, porque tem sempre como objetivo comunicar algo, para alguém. Ao vestir uma peça que expresse algo, como leds que acendem de acordo com o nível de excitação e entusiasmo, você pode estar economizando palavras, mas ainda assim estará enviando uma mensagem para o mundo, para alguns, ou para alguém.
E porquê temos essa necessidade? Porque precisamos da opinião dos outros, precisamos saber se estamos certos, se somos aceitos; precisamos encontrar pessoas que nos escutem, com as quais possamos dividir o que pensamos e como nos sentimos. Porque somos construídos pelo social, pelas nossas relações com os outros, e constantemente necessitamos de uma aprovação subjetiva que nos diga quem somos, que nos reconheça.
Faça uma comparação e observe como as pessoas contam sua vida no ambiente digital, principalmente no Msn. Perceba os nicks de seus amigos, as palavras colocadas ali, e como as pessoas as utilizam para compartilhar por exemplo, como se sentem (“Bruna – cansada…), onde estão (“Paulo – almoçando no clube…”), para onde vão (“Ana – Hoje, praia e balada”), de quem gostam (“Ju – saudades do André”), o que lêem (“Cris – Acredite e o universo vai conspirar…”), o que escutam e em que acreditam; definem-se em frases absurdas e clichês, contam suas vidas, suas emoções. Ou seja, tudo aquilo que possa ser direcionado para alguém (caso contrário, não estaria ali).
Chegaríamos a este ponto com as smart clothes? O que mostraríamos? Seria possível controlar as expressões de nossas roupas como as frases do Msn, ou elas simplesmente reagiriam de acordo com nossas emoções? Peças sensacionais seriam criadas, mas imagine-se vestindo uma camisa que expressa seus sentimentos, em uma festa na qual você poderia odiar estar; ou esposas obrigando seus maridos a vestirem “smart-cuecas”, para saber o que estes sentem quando estão com elas (e vice-versa); patrões determinando tipos de uniformes para seus empregados, que mostram a disposição destes para o trabalho; ou namorados brigando por roupas que entregam os verdadeiros sentimentos.
As novas tecnologias trazem uma gama enorme de novidades, e o conceito de emotional clothing certamente trará inúmeras aplicações para o mercado da moda, criando novas possibilidades de criação e expressão. Porém, é complicado prever as consequências para o futuro.
Por falta (ou medo) de colocarmos o que sentimos em palavras, recalcamos tantas coisas que estamos sempre buscando novas formas sublimar nossas emoções. Portanto caro leitor, não se assuste se em breve você encontrar pessoas vestidas como messengers ambulantes pelas ruas.
Quando este dia chegar, o melhor é estar “Appear Off-line”.
*Artigo publicado na edição de outubro da Revista Catarina.
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A Culpa é do Outro
Compreender o grande universo que é a moda nos traz inúmeras perspectivas de abordagens, e certamente uma das que mais levanta questionamentos por parte de profissionais e consumidores é quando discute-se sobre o poder e a influência daquilo que cria desejo e nos faz assimilar novas idéias e conceitos.
E um dos argumentos mais utilizados e discutidos pelos críticos vorazes, é que a mídia, a publicidade e a moda são os grandes responsáveis por diversos problemas que afetam as pessoas, principalmente sobre a noção que estas possuem sobre sua imagem corporal: um ideal impossível de alcançar graças ás regras de corpos magros e de roupas que não são feitas para as pessoas “comuns”, impostas por modelos criados por aqueles que decidem como muitos irão se vestir.
Para estes críticos, o consumismo, a anorexia, os problemas de imagem, a falta de aceitação e de posicionamento social, dentre outros transtornos que lotam as salas de psicólogos e psiquiatras, são resultados desta indústria famigerada da moda que influencia cada vez mais as pessoas a usarem o que não querem e a serem aquilo que não podem ser. Argumentam que sequer sabem quais são seus desejos uma vez que estes são impostos, que há uma submissão coletiva às regras de tendências, que são inconscientemente influenciados pela publicidade, pela tv, pelas capas de revistas, pelos desfiles, blá-blá-blá.
Argumentam que não podem reagir, que não são culpados e responsáveis por seus problemas, e que são apenas vítimas. Ou seja, que a culpa é do Outro.
Obviamente não serei hipócrita de negar a influência destes meios na decisão de compra das pessoas, isto é óbvio e as discussões sobre este assunto são muitas e cansativas; porém o que pouco discute-se é sobre a dificuldade que temos para assumir a responsabilidade sobre nossas próprias decisões, e sobre as conseqüências que estas nos trazem. Para tanto, e para traçarmos um paralelo com a moda, necessitamos pensar a respeito do que cada um de nós considera, ou não, belo.
A moda está diretamente ligada á concepção de beleza e este conceito é muito diferente para cada pessoa. Muito do que consideramos belo hoje vem de nossa construção de vida, de como neste tempo todo nos relacionamos com a beleza (ou com a possível falta dela) durante o desenrolar de nossa história pessoal, principalmente na infância e no que veio depois, períodos fundamentais na construção da personalidade. Por exemplo, se você passou a adolescência toda sentindo-se feia e rejeitada (o que é comum para a fase), isto poderia ser simplesmente uma resposta ao seu ambiente, sua família, seus amigos, etc. Inúmeras possibilidades. Porém, o que pode ficar até hoje, é uma aversão á beleza, á moda.
Eis que ao criticar, ao posicionar-se contra e gritar para os céus que odeia este “mundinho”, muitos estão simplesmente encontrando saídas para devolver um pouco da raiva que tanto sentiram por se considerarem “diferentes”, e que carregam até hoje.
Muitos ao criticar, fingem esquecer de suas vaidades, de seus vícios, de suas compensações; fingem esquecer que quando entram em um shopping também lançam-se desenfreadamente atrás da mesma moda que tanto ajudam a criticar, e que tanto ajuda a tapar seus buracos narcisistas. Fingem porque isso implica em envolver-se como responsável pelas merdas que acontecem, uma vez que é muito mais fácil e cômodo deslocar a culpa para alguém ou para um “sistema” maldoso que os empurra para o consumo.
Porém o que fingem não saber, é que este sistema foi construído por eles, por seus pais, por um histórico de gerações; ou seja, pelo social. É o resultado de uma sociedade, onde todos são implicados; e a moda é, como tantas vezes antes, um reflexo deste determinado momento na história onde tudo é acessível, mutável.
Enfim, o que a moda mostra vai além de simples imagens e conceitos, cujo objetivo final sempre é o consumo; vai além das passarelas, das capas das revistas, dos outdoors e das campanhas publicitárias. Ela desloca e cria emoções, atrai o olhar do outro, preenche espaços. Ela funciona como um espelho que reflete muitos aspectos de nossa sociedade, de nossa vida.
E isso muitas vezes incomoda, porquê sempre acreditamos que poderíamos ter feito melhor, poderíamos ter sido menos encanados, que poderia ter sido diferente.
Portanto caro leitor, ao ouvir uma crítica, saiba que as palavras vão além de seus sentidos aparentes. Carregam sempre algo mais, algo pessoal.
Muitos dos que criticam, buscam encontrar um certo alivio ilusório para suas questões. Acreditam serem vítimas da mídia, da publicidade, porque assim não se sentem implicados. Porque crêem que deste modo se sentirão melhores, e poderão levantar suas bandeiras contra esta moda malvada que tanto os faz consumir.
Porquê para eles, a culpa sempre é do Outro.
*Artigo publicado na edição de três anos da Revista Catarina.
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A Revista Catarina, na qual escrevo, está ganhando renome internacional. Mérito de uma equipe criativa, comandada pela editora Patrícia Lima, a revista com sede em Florianópolis conquista cada vez mais seu espaço no Brasil e no exterior.
Você encontra esta grande publicação nas bancas, no site, e na tv (Programa Catarina, Record News, sábados, 20:00 hrs). Veja abaixo uma parte da reportagem internacional:
“Though not yet famous on the Rio-São Paulo circuit, Catarina is a promising independent fashion platform based in Florianópolis. The first organization to transmit the Paris and London fashion shows on an open national TV channel, Catarina now has a website, TV program and magazine, all while trying to incorporate the national blogosphere into their media.
“We need to use the new media in our favor in order to communicate to an even wider audience,” says founder Patricia Lima. True to this sentiment, Catarina recently published an editorial of street style pics of people around the world sent in by the social networking site LookBook, and, during next SPFW, worldwide bloggers will post their opinions on the collections by watching Catarina’s videos. Next Up? “Heading towards mobile media and social networking,” says Lima.”
Esta matéria, você encontra aqui na íntegra.
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Todos os textos são de autoria de Diogo Scandolara - Copyright © 2009 Scandolara
Copyright © 2008 – Catarina Comunicaçao de Moda & Editora




